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BULLYING: o papel da Escola frente a comportamentos opressores.




Por Lucicleide Santos

Para discorrer sobre uma temática tão relevante como o Bullying foi necessário buscar evidências científicas que contribuíssem para fundamentação da experiência cotidiana em sala de aula, hora como estagiária no decorrer da graduação e atualmente como professora de uma escola da rede pública de ensino.


É sabido que o Bullying não escolhe classe social, gênero, ou faixa etária e que está nos interiores de grandes instituições de ensino, particulares e públicas. É necessário destacar ainda que embora exista mais divulgação do envolvimento do gênero masculino em ações que condizem ao Bullying, tais atos também são cometidos pelo gênero feminino, embora de forma mais indireta, Calbo et al. (2009).


Segundo os autores citados, o Bullying se caracteriza por ações diretas e indiretas, “O bullying direto, tanto físico como verbal, inclui agressão física, abuso sexual, roubo ou deterioração de objetos de outra pessoa, extorsão, insultos, apelidos e comentários racistas.” Calbo et al. (2009, p. 74). No espaço escolar é de grande importância ter atenção aos indícios de agressão que por vezes é relacionada a “brincadeira” pelo(s) executor(es).

Por na maioria das vezes o Bullying direto ser praticado pelo gênero masculino que explicitamente usa de agressões físicas, é compreensível o fato de o gênero oposto ser pouco notado realizando essa conduta, logo que usam elementos mais persuasivos para atingir a vítima, utilizando dos recursos do Bullying indireto.


Sob essa perspectiva, é fundamental entendermos as definições de tal conceito “[...] bullying indireto, por sua vez, compreende a exclusão de uma pessoa do grupo, fofocas e apelidos que marginalizam o outro e qualquer outro tipo de manipulação cometida por um indivíduo ou um grupo contra outro.”  Calbo et al. (2009, p. 74).


A Educação exerce um importante papel frente ao combate ao Bullying - ações de violência física e psicológica -, geralmente ocorridas no espaço escolar. Aos educadores cabe estabelecer uma relação dialógica e de proximidade com as famílias, pois é de extrema importância para compreendermos em qual contexto familiar o estudante está inserido, e qual dinâmica educativa é desenvolvida na sua primeira instituição interativa – o ambiente familiar.


Enquanto educadores, cabe-nos realizar ações pedagógicas reflexivas, que visam criar em nossos alunos entre outros aspectos, o sentido de respeito e empatia, tendo em vista que os estudantes considerados por seus pares como “diferentes” por não se enquadrarem em determinados padrões grupais e/ou individuais, são potenciais vítimas do Bullying.

 

Vale ressaltar que os traumas vivenciados por vítimas de Bullying, que seja direto ou indireto são profundos e por vezes permanentes. As agressões físicas e/ou psicológicas acompanharão a vítima em sua trajetória escolar, mesmo com o cessar da violência ao passar dos anos, tal constatação foi significativa para a criação da Lei nº 14.811, de 12 de janeiro de 2024, que considera o Bullying como crime e institui medidas de proteção à criança e ao adolescente contra a violência nos estabelecimentos educacionais ou similares.


Portanto, acredito que as ações preventivas do Bullying perpassam o ambiente escolar, embora este muitas vezes se consolide neste espaço. Se pensarmos sobre qual educação o estudante está inserido no ambiente onde normalmente passa a maior parte do tempo – na instituição familiar - entenderemos de qual ponto deveremos partir em busca de intervenções comportamentais.


É preciso está atento especialmente aos comportamentos autoritários de nossos alunos, é essencial entender quais realidades sociofamiliar enfrentam, para que assim possamos atuar pedagogicamente de forma assertiva a fim de evitar e extinguir as ações condizentes ao Bullying sobretudo nos espaços escolares.

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