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Do Papel à Tela: Encantos e Desilusões das Adaptações Literárias




Por Ana Júlia


Como leitora, adaptações literárias são um tópico sensível. Acredito que muitos de vocês já passaram pelo momento tenso de expectativa e medo ao ver seu livro favorito ganhar vida além da sua imaginação. Quando surgem os rumores, as perguntas já começam: Quem serão os atores? Será que vai ser fiel ao livro? E se estragarem a história?


É uma sensação comum a todo leitor, já que ver uma obra ser adaptada para as telinhas é gratificante. Nos sentimos parte daquela história e é como se ela estivesse recebendo o reconhecimento que merece. Agora, ela poderá atrair novos públicos (o que gera ciúmes, não vou negar), ganhar mais destaque, além de ser um estímulo imenso ao autor.


Porém, como o próprio nome diz, é uma "adaptação", logo, mudanças serão feitas... e aí começa o medo. Seja por questões financeiras ou criativas, a passagem da história para o roteiro traz alterações que nem sempre agradam. Às vezes são coisas pequenas que deixam a obra mais coerente para o audiovisual; outras vezes, perdem totalmente a essência da história.


É inegável que o envolvimento do autor na adaptação faz uma diferença muito grande no resultado e, principalmente, na aceitação dos leitores. Podemos citar, como exemplo, "Heartstopper", HQ da Alice Oseman que foi adaptada em 2022 para a Netflix no formato de seriado e segue em andamento. A história retrata a adolescência de Nick e Charlie enquanto descobrem seus sentimentos e lidam com as dificuldades da vida escolar e amorosa. É uma obra leve e sensível, que aborda tópicos importantes, mas sem deixar de nos fazer suspirar de amores. Essa é uma das minhas adaptações literárias favoritas e, ouso dizer, a mais fiel que já assisti. Mesmo com algumas mudanças, ela consegue transmitir exatamente a essência da obra, contando com cenas e falas idênticas às do livro.


Outro exemplo de adaptação que tem meu coração é "Fazendo meu filme", obra da autora brasileira Paula Pimenta que ganhou filme neste ano de 2024, disponível na Prime Vídeo. Aqui acompanhamos Fani, uma adolescente apaixonada e que ama cinema, mas tem sua rotina alterada pela perspectiva de um intercâmbio no exterior. Com uma visão leve e divertida, tanto o livro quanto o filme trazem uma sensação de nostalgia dos anos 2000. Essa também é a prova de que nem sempre as mudanças são ruins, já que algumas alterações no decorrer da história foram feitas e, na minha opinião, melhoraram ainda mais a obra.


Mas, nesse caminho, já me decepcionei muito e, quando esse é o assunto, impossível não citar "Shadowhunters", adaptação da série de livros escritos por Cassandra Clare disponível na Netflix. Uma das minhas séries de fantasia favoritas, "Os Instrumentos Mortais", acompanha Clary descobrindo um mundo que até então não acreditava, com vampiros, lobisomens, anjos e demônios, e seu papel como caçadora de sombras. Os livros são incríveis e, apesar de tentarem manter a essência, a série falhou bastante em vários aspectos, me fazendo sentir como se estivesse vendo outra história, não a mesma que li.


Como leitores, vamos torcer, amar e nos decepcionar com as adaptações de nossas obras favoritas. Mas o sucesso de algumas é inegável e permite que produtos relacionados ao universo sejam criados, além de atrair uma multidão de fãs e possibilitar discussões e interpretações diferentes. Grandes exemplos são "Crepúsculo", que reviveu o interesse pelo romance sobrenatural adolescente, "Jogos Vorazes", que popularizou a distopia moderna, e "Harry Potter", que se tornou um fenômeno cultural abrangendo várias gerações. Essas histórias não apenas ganharam vida além das páginas, mas também uniram comunidades de fãs ao redor do mundo, provando que, apesar das possíveis decepções, as adaptações literárias têm o poder de criar magia tanto na tela quanto no papel.

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